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O que é uma stablecoin (e por que não é a mesma coisa que Bitcoin)
Para um diretor financeiro, o primeiro passo é desvincular as stablecoins da volatilidade extrema associada ao Bitcoin. Enquanto criptoativos tradicionais flutuam com base na oferta e demanda de mercado, as stablecoins são projetadas para manter um valor estável em relação a um ativo de referência, geralmente o dólar americano.
O mecanismo fundamental aqui é o lastro 1:1. Para cada unidade de stablecoin emitida em circulação, existe um valor equivalente em ativos de reserva — como dinheiro em espécie ou títulos do Tesouro dos EUA — mantidos em instituições reguladas. No contexto B2B, as duas opções mais consolidadas são o USDC (Circle) e o USDT (Tether).
Por que empresas brasileiras estão adotando stablecoins
A adoção corporativa de stablecoins no Brasil não é uma tendência futura, mas uma realidade consolidada. Hoje, o país figura no top 5 global de adoção dessa tecnologia. Segundo Gabriel Galipolo, presidente do Banco Central do Brasil (BCB), cerca de 90% do fluxo de criptoativos no Brasil já passa por stablecoins.
O volume global de transações com stablecoins superou US$ 4 trilhões em 2025 (alta de 83% vs. 2024, fonte: TRM Labs). Para o CFO, os benefícios são puramente pragmáticos: o SWIFT é lento (D+2 a D+3), o spread bancário é alto e o capital fica preso em trânsito entre subsidiárias.
Casos de uso práticos para o dia a dia financeiro
Pagamento a Fornecedores
Liquidação D+0 via stablecoin contra D+2/3 no SWIFT, eliminando a dependência de bancos correspondentes e reduzindo custos operacionais.
Recebimento do Exterior
Recebimento imediato de clientes internacionais direto em carteira institucional, sem necessidade de conta bancária física no exterior.
Reserva em Dólar Digital
Proteção cambial eficiente e ágil, permitindo dolarização de parte do caixa sem as burocracias de manutenção de contas internacionais complexas.
O que mudou com a regulação brasileira em 2026
Este é o ponto de maior atenção para as tesourarias. A Resolução BCB 521 (em vigor desde fev/2026) trouxe clareza e obrigações:
- Enquadramento Cambial: Stablecoins referenciadas em moeda estrangeira são enquadradas como operação de câmbio (art. 76-A da Lei 14.286/2021).
- IOF de 3,5%: Incidência direta sobre o montante convertido em cada operação cross-border.
- Limite de USD 100k: Operações acima deste valor exigem intermediação de instituição autorizada pelo BCB.
- Compliance: Exigência de documentação rigorosa e registro cambial das transações.
Riscos que o jurídico e o financeiro precisam conhecer
A gestão de riscos deve ser central. Pontos críticos incluem a custódia (gestão de chaves privadas ou uso de custódia institucional MPC), o risco de contraparte do emissor da stablecoin e a conformidade tributária (garantir o registro correto da variação cambial e IOF).
Como uma empresa mid-market começa na prática
- Diagnóstico: Mapear gargalos no fluxo internacional atual.
- Infraestrutura: Escolher custódia institucional e parceiros de on-ramp/off-ramp regulados.
- Adequação: Implementar políticas de compliance alinhadas à BCB 521.
- Integração: Conectar os fluxos ao ERP e auditoria contínua.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Sim. É regulada e legalizada, especialmente após a Resolução BCB 521 que trouxe o enquadramento cambial para estes ativos.
Ambos são lastreados 1:1 no dólar. O USDC é frequentemente preferido por CFOs por sua transparência de auditoria nos EUA, enquanto o USDT tem a maior liquidez global.
Não. O Drex é focado no atacado nacional e liquidação interbancária brasileira, enquanto stablecoins como USDC são trilhos para liquidez global e câmbio internacional.
RZRicardo Zago
Co-fundador Avalon · Consultor · Professor · Mentor de Startups
Atua na estruturação de negócios em blockchain, tokenização de ativos reais e stablecoins para o mercado corporativo. Projetos na interseção entre mercados tradicionais e infraestrutura descentralizada.
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