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11 de maio de 2026EstratégiaRicardo Zago10 min

O que são stablecoins e como funcionam no mercado financeiro

Resumo

Stablecoins são ativos digitais criados para manter um valor estável, geralmente atrelado a moedas fiduciárias como o dólar. Com a Resolução BCB 521 em vigor, entender o funcionamento e a regulação desses ativos tornou-se essencial para tesourarias corporativas brasileiras que buscam agilidade em operações internacionais e liquidez 24/7.

Ao contrário do Bitcoin e do Ether, cujas cotações podem oscilar bruscamente, uma stablecoin lastreada em dólar permanece valendo aproximadamente US$ 1,00. Esse design resolve um problema central dos criptoativos tradicionais: a volatilidade, permitindo previsibilidade operacional para empresas.

O que é uma stablecoin?

Uma stablecoin é um criptoativo cujo valor é programado para acompanhar o preço de outro ativo de referência, chamado de âncora ou lastro. O mecanismo é chamado de pegging. Quando alguém compra 1.000 USDC, por exemplo, o emissor aloca US$ 1.000 em reservas auditadas para garantir o resgate.

Como as stablecoins funcionam na prática

Existem três mecanismos principais de funcionamento:

  • Lastro em moeda fiduciária: O modelo mais comum (USDT, USDC). O emissor mantém reservas em dólares ou reais.
  • Lastro em commodities: Como o PAXG, lastreado em ouro físico custodiado.
  • Mecanismo algorítmico: Utiliza algoritmos para manter a paridade. É o modelo de maior risco sistêmico, como demonstrado pelo caso TerraUSD.

Lastro Fiduciário

Ex: USDT, USDC. Garantia em reservas de moeda. Risco principal: solidez do emissor.

Lastro em Commodity

Ex: PAXG. Garantia em ouro físico. Risco principal: custódia e liquidez.

Algorítmico

Ex: TerraUSD. Garantia via código. Risco principal: colapso sistêmico.

Quais são as principais stablecoins do mercado

USDT (Tether): A maior em capitalização, mas com histórico de questionamentos sobre auditoria. USDC (Circle): Considerada o padrão de transparência, com relatórios mensais auditados. BRZ: A principal stablecoin lastreada em real brasileiro, relevante para o mercado nacional.

Stablecoins são seguras? O que toda empresa precisa saber

A segurança depende de quatro fatores: qualidade das reservas, risco de custódia (onde os tokens estão), risco regulatório e risco de contraparte. Para operações corporativas que exigem compliance documentável, o USDC e o BRZ são frequentemente as escolhas mais defensáveis no Brasil.

Para que servem as stablecoins para empresas

  1. Pagamentos internacionais com liquidação em minutos e baixo custo.
  2. Proteção contra volatilidade em operações que envolvem cripto.
  3. Moeda de liquidação para ativos tokenizados (RWA).
  4. Tesouraria corporativa com liquidez 24/7.

Stablecoins no Brasil: regulação e perspectivas para 2026

A Resolução BCB 521 equiparou operações com stablecoins a operações de câmbio. Isso exige que empresas que movimentam esses ativos se regularizem ou operem via parceiros licenciados. A informalidade deixou de ser uma opção, permitindo um crescimento mais seguro do mercado corporativo.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual a diferença entre stablecoin e criptomoeda comum?

Criptomoedas comuns oscilam livremente. Stablecoins mantêm paridade com ativos estáveis, servindo como meio de troca em vez de mera especulação.

Vale a pena usar para pagamentos internacionais?

Sim, pela economia e velocidade, desde que a operação respeite o novo marco regulatório do Banco Central.

Ricardo ZagoRZ

Ricardo Zago

Co-fundador Avalon · Consultor · Professor · Mentor de Startups

Atua na estruturação de negócios em blockchain, tokenização de ativos reais e stablecoins para o mercado corporativo. Projetos na interseção entre mercados tradicionais e infraestrutura descentralizada.

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